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CIRCUITO DE ARTE DAS AMÉRICAS
(continuação)
Integração de idéias e conceitos
O primeiro momento da gestão do Circuito de Arte das Américas define-se através das reflexões sobre a esfera de organização e gestão do evento, que devem ser articuladas já a um trabalho de divulgação da proposta junto ao público. Para isso, iniciaremos os trabalhos de efetivação deste projeto através da realização de um Seminário no ano de 2001, que ocorrerá em Belo Horizonte, com a presença de convidados especiais tais como: curadores, críticos, pesquisadores, historiadores e artistas que atuaram em outras Bienais de Arte. Tal iniciativa já tem como parceiros a Fundação Clóvis Salgado e a UFMG e o objetiva estabelecer as diretrizes básicas da mostra, sua linha de abordagem, critérios de participação, além da definição de propostas como cursos, oficinas, palestras e demais eventos paralelos trabalhando-se também a continuidade no processo de definição de parcerias nesta realização.
No
presente processo de planejamento integrado, o próximo passo
é a criação da Revista Circuito de Arte das
Américas, publicação periódica elaborada
a partir dos debates realizados para a preparação
do evento. Compreendemos que este debate trará informações
a respeito da definição das diretrizes básicas
do fórum internacional, possibilitando ainda a ampliação
do alcance das dicsussões e debates, agregando novas idéias
à proposta inicial. O motivo que nos leva a defender
o lançamento, em primeiro lugar, de um seminário e
da publicação de uma revista considera a ampliação
do debate em torno das questões contemporâneas das
artes visuais e consequentemente a manutenção da informação
para o público interessado e consumidor do evento. Com
o objetivo de integrar os conteúdos desta discussão
promovendo seu global alcance à comunidade, faz parte desta
proposta a adaptação para a Internet de todas as informações
relativas aos passos de organização do Circuito de
Artes das Américas, criando-se também um espaço
aberto para a troca de idéias sobre a condição
da arte contemporânea no continente americano. Integração
de espaços Para
uma primeira mostra do projeto Circuito de Arte das Américas,
que se pretende trienal, propomos a utilização de
significativos espaços de exposição da cidade
de Belo Horizonte e até mesmo de localidades vizinhas, como
Sabará, Nova Lima, Contagem, Betim e Ouro Preto, considerando-se
os museus, centros culturais, galerias, praças, parques,
e ateliês dos artistas. Nossa perspectiva para o primeiro
evento prevê uma exposição contemporânea
com artistas do Brasil, Canadá, EUA, Argentina, Chile, Uruguai,
Paraguai, México, Cuba, Equador, Venezuela, Colômbia,
entre outros, além de oficinas teóricas e práticas
com artistas e críticos de todos os países envolvidos.
Através de oficinas e publicações objetivamos
envolver a comunidade da cidade e arredores nestes eventos, seja
como espectadores, participantes, leitores, alunos, professores
etc. Instituto
Circuito Atelier A
organização do Circuito de Arte das Américas
requer a criação de uma entidade sem fins lucrativos,
com personalidade institucional capaz de atrair e dialogar com o
poder público, investidores, concentrar críticos,
artistas, colaboradores, divulgadores e outros setores da sociedade
interessados na proposta. De acordo com a sólida base
conceitual adquirida pelo Projeto Circuito Atelier ao longo de dois
anos de atuação em nosso cenário cultural promovendo
a circulação de informações a respeito
do universo criativo de cada artista, objetivamos fazer do Circuito
de Arte das Américas uma extensão a âmbito internacional
do caráter informativo, lúdico e educativo do Projeto
Circuito Atelier. Dessa forma, para alavancar a proposta do Circuito
de Arte das Américas, objetivamos criar o Instituto Circuito
Atelier, com um grupo específico para gestão deste
empreendimento, visando viabilizar esta interlocução
entre culturas. O Instituto Circuito Atelier, entidade sem fins
lucrativos, deverá contar com a participação
de pesquisadores, historiadores, críticos de arte, curadores,
produtores culturais e, fundamentalmente, a participação
do empresariado extensivo às Américas. A união
da proposta do Circuito de Arte das Américas ao Circuito
Atelier visa, portanto, agregar à primeira o caráter
não só de uma mostra de artes plásticas, mas,
sim, de um intercâmbio cultural de artistas entre si e entre
estes e o público, numa visão onde o ateliê
torna-se um espaço especial de troca e apreensão de
conteúdos. O Circuito de Arte das Américas tem
ainda como objetivo a formação de novas gerações
para a compreensão do fenômeno artístico, oferecendo,
ao longo dos anos, cursos, palestras e oficinas, voltados para a
comunidade interessada. Esta iniciativa contribuirá para
que não só a marca do Circuito como as das empresas
e instituições parceiras continuem vivas e o grupo
permaneça unido também no intervalo entre as exposições
que ocorrerão trienalmente, como um resultado dos trabalhos
desenvolvidos ao longo do período. Vale ainda ressaltar que,
durante três anos de discussões, iniciadas em 1997,
existem já algumas parcerias locais para esta idéia
tais como a Fundação Clóvis Salgado, a UFMG
e o Centro Universitário FUMEC. Cultura
como negócio sustentável O
Circuito de Arte das Américas, além de valorizar a
reflexão e a estética visual através da discussão
das diversidades artísticas das Américas, constitui
um excelente negócio do ponto de vista do turismo, educação,
lançamento e valorização de marcas e produtos,
através das estratégias do marketing cultural. São
muitas as formas de participação da iniciativa privada
no evento, podendo os empresários adquirirem cotas no investimento,
tornando-se parceiros do empreendimento e divulgando seus produtos
e marcas junto ao público. Em nosso entender, todo o investimento
feito no Circuito de Arte das Américas deve ter como finalidade
a auto-sustentação da iniciativa, garantindo assim
a sobrevivência do evento ao longo dos anos através
do re-investimento dos recursos no crescimento da proposta. O
Circuito de Arte das Américas deve ser pensado como proposta
que visa agregar investimentos à Belo Horizonte, pólo
receptor da proposta, que obterá maior visibilidade nacional
e internacional, promovendo a divulgação dos atrativos
turísticos e econômicos da capital e cidades históricas
de Minas Gerais. Conseqüentemente, além do fluxo turístico,
Minas atrairá ainda o olhar de novos investimentos empresariais
através da divulgação a se estabelecer a partir
dos eventos que terão repercussão nas Américas.
Vincular atrações artísticas, lazer, turismo
e negócios se faz uma prática cada vez mais comum
no mundo contemporâneo. Outro ponto positivo da proposta
se constitui através do intercâmbio que se fortalecerá
entre a comunidade artística de diversos países, fazendo
com que recebamos novas informações e ainda possibilitemos
a saída de profissionais para o exterior, fato que contribuirá
para a divulgação das propostas culturais de Minas
Gerais e do Brasil, além de apresentar nosso potencial turístico
e incentivar a produção econômica. Como
avanço no processo de realização deste projeto,
ressaltamos a rede de intercâmbio que temos estabelecido com
países realizadores de bem-sucedidas bienais de arte tais
como Cuba, que através da Bienal de Havana, tem apresentando
atuante política cultural, mostrando ao mundo sua expressão
artística. Tal processo marca o início de um intercâmbio
que visamos estabelecer com o maior número possível
de críticos, artistas e realizadores nas Américas,
iniciando a articulação que faltava para esta realização
cultural que é de todos e merece o olhar cuidadoso dos diversos
setores da sociedade. (2)
Nota:
1) Fernando Pedro da Silva é historiador, mestre em Artes
Visuais, Diretor da C/Arte Projetos Culturais e Presidente do Instituto
Arte das Américas.
(2) Publicado no Jornal Estado de Minas, Belo Horizonte, 28 de outubro
de 2000, pág. 2.
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