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Revista do Instituto Arte das Américas ]
Belo
Horizonte – Volume 3 – número 1 – janeiro/junho
2006
Arte Pública
em diálogo
nas Américas
Fernando
Pedro da Silva
É
com grande satisfação que apresentamos os resultados
do III Fórum Arte das Américas, momento em que o Instituto
chega aos seus cinco anos de atuação e fortalece o
seu processo de intercâmbio cultural com as Américas.
Foi um grande acerto a definição de debatermos as
questões que norteiam a arte pública, tema atual e
polêmico, que vem envolvendo artistas, pensadores e produtores
culturais em todo o mundo. Neste novo número da Revista Arte
das Américas, nossos convidados apresentam vários
ângulos do tema proposto, através de conceitos que
se articulam obrigatoriamente com a diversidade urbana. Questões
específicas do fazer artístico em espaço público,
a relação do trabalho interdisciplinar, a discussão
do público e do privado, a interatividade do público
com a obra, a arte em diálogo com as comunidades, a questão
do financiamento e, ainda, as regras para a colocação
das obras em ambiente urbano, são alguns dos pontos abordados
pelos autores participantes do Fórum.
A prática das intervenções em espaço
público tem origem nos primórdios da humanidade, ainda
na pré-história, quando eram pintados bizontes nas
cavernas com a intenção de comunicar e capturar os
animais. Em seguida, temos a arte aplicada nas construções
dos templos, nos palácios e praças, com a função
social de reunir a comunidade num determinado local, visando glorificar
os deuses e governantes. Mas, a partir de meados do século
XIX, com a modernidade, a arte pública passa a ser discutida
enquanto experiência artística, propiciadora de transformações
estéticas, sociais e políticas. Surgem inúmeras
obras efêmeras, contestadoras, engajadas, interdisciplinares,
polêmicas, e também em diálogo com as comunidades.
Presenciamos no III Fórum Arte das Américas um dos
mais críticos e atuais debates sobre a arte contemporânea
em espaço público, focalizando a sua diversidade e
contemporaneidade nas Américas.
Consideramos que com esse terceiro evento internacional organizado
pelo Instituto demos mais um importante passo para estabelecermos
um efetivo intercâmbio entre as Américas em torno das
questões da arte contemporânea. O intercâmbio
se fortaleceu com a presença da pesquisadora e produtora
Barbara Cole, do Canadá, com a participação
da curadora Ana Elena Mallet, do México, além de reafirmarmos
nosso intercâmbio com Cuba, através da participação
de Ibis Hernández Abascal, curadora da Bienal de Havana.
Do Brasil, convidamos pesquisadores, artistas e coordenadores de
intervenções urbanas, como Nelson Brissac Peixoto,
Vera Pallamin, Célia Maria Antonacci Ramos, Maria Amélia
Bulhões Garcia, Iole de Freitas e Ana Maria Tavares.
O evento apresentou ao público muitos registros em vídeo
e data show de obras já realizadas nas Américas. Já
nas ruas de Belo Horizonte, tivemos várias intervenções
artísticas realizadas por um grupo de artistas que vem se
dedicando às intervenções no espaço
urbano, registradas no encarte desta revista. Trata-se de uma forma
alternativa de atuação no espaço da cidade,
que tem como premissa as amplas possibilidades de apropriação
de locais limítrofes entre o público e o privado,
e em que ambos se colocam. As ações se deram tanto
em praças e ruas, quanto em lotes vagos ou nos imóveis
em demolição, apontando para as tênues fronteiras
que delimitam esses espaços, levando a um questionamento
sobre o público e o privado nas cidades contemporâneas.
Sem dúvida que os vários pontos tratados nesse encontro,
considerando a diversidade cultural presente nesses continentes,
fazem desse debate uma nova referência para a arte pública
e possibilitam um efetivo intercâmbio de informações
e conceitos entre o Norte, Centro e Sul das Américas. Foi
dentro dessa perspectiva que o III Fórum Arte das Américas,
promovido pelo Instituto Arte das Américas, se desenvolveu,
buscando apontar, através da colaboração de
professores, pesquisadores, estudiosos da arte pública e
artistas, diferentes possibilidades de abordagem do espaço
da cidade, nesse território fronteiriço entre aquilo
que é público e privado.
A continuidade da programação dos Fóruns em
Belo Horizonte, por iniciativa do Instituto Arte das Américas,
se traduz em um ato de coragem, planejamento e ousadia, que aos
poucos vem transformando a capital mineira em mais um pólo
de debates sobre a arte contemporânea. O retorno que temos
recebido de especialistas em todo o Brasil e de países que
compõem o Continente das Américas nos deixa certos
do caminho que vimos trilhando. Porém, para darmos continuidade
à efetivação desse projeto precisamos contar
com a iniciativa privada e o poder público, seja do Brasil
ou de instituições internacionais. Assim o Instituto
Arte das Américas pode cumprir o seu papel social de Organização
Não-Governamental e implantar definitivamente mais um núcleo
de promoção e intercâmbio em favor das manifestações
culturais nas Américas.
Fernando Pedro da SIlva
Presidente do Instituto Arte das Américas
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