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Revista do Instituto Arte das Américas ]
Belo
Horizonte – Volume 2 – número 1 – julho/dezembro
2004
Editorial
Walter
Sebastião
Não
deixa de ser curioso que, quando se debate os temas postos pelas
artes visuais, pouco se discuta as escolas e o ensino de arte. Silêncio
ainda mais perturbador ocorre quando se considera o impacto das
transformações estéticas, questões sociais,
tecnológicas e científicas postas em curso a partir
das últimas décadas do século XX e neste início
de século XXI. Vivencia-se a incorporação de
novas práticas artísticas sim, mas também o
convívio com múltiplas culturas. Acrescente-se a reconfiguração
dos conceitos, o tema das novas mídias, a interação
de linguagens ou a interdisciplinaridade que surge junto com discussões
sobre ética, hegemonias culturais e responsabilidade social.
Motivo recorrente nos textos reunidos nesta edição da Revista do Instituto Arte das Américas é exatamente esta trama de novas questões que tanto deixam a sensação de versalete esgotamento ou anacronismo das estruturas artísticas quanto esboçam os fundamentos que devem ser enfrentados para se alcançar uma outra situação. Não por acaso, aqui, vários autores rememoram origens, fundamentos, mutações da arte, das mostras e escolas de arte etc., mas para apontar uma necessidade de transformação (de conceitos), de reformulação (de currículos) e de atualização (de pedagogias) que possibilite o superar de situações de isolamento, clausura e uma retomada de um diálogo com a sociedade.
Mais: para além do ensino de arte, investigam-se as relações entre arte e educação e o significado da presença da arte nas escolas. E, assim, constrói-se uma meditação particularmente original, que ajuda a esclarecer silêncios como o apontado no início deste texto: as escolas de arte são um ponto marginal, de tema mais marginal ainda no caso brasileiro e latino-americano, porque limitado pelo escasso enfrentamento da questão da educação como prioridade social. Evidência desta situação são as carências e precariedades, inclusive das universidades, no que se refere a temas básicos, como o da implantação de correta infra-estrutura para as atividades de ensino que levem em conta sejam os velhos ou os novos caminhos da arte.
Situação particularmente
grave quando se sabe que é das universidades que saem, atualmente,
não só a maioria dos artistas, mas especialmente os
arte-educadores, aqueles que têm a árdua tarefa de
difundir o gosto pelas artes numa sociedade que cultiva o motivo
mais como figura de retórica do que com ações
de compromisso ou adesão solidária. Como no primeiro
número da publicação, os escritos ora publicados
são resultados de um Fórum cuja realização
esteve menos preocupada em esgotar o assunto e mais voltada para
a articulação de vozes, experiências e debates,
revelando que, apesar de tudo, na luta, o ensino da arte existe,
mobiliza e quer participar da definição de ideais
de arte, vida e mundo.
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- 2004 -
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